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7 de out. de 2010

O fenômeno Marina Silva

Manaus, AM

Passada a votação de 03 de outubro, é hora de iniciarmos as análises do que aconteceu.


O resultado que ensejou a realização da segunda votação (2º. Turno) para presidente revelou um componente na eleição até pouco esperado, especialmente pela candidata do governo Lula da Silva, a existência de um clamor “não ouvido” das ruas. O resultado da votação em Marina Silva é um recado claro e inequívoco para as forças políticas não-alinhadas aos blocos liderados pelo PT e PSDB, e mais claramente para o PSOL, de que o brasileiro aguarda ansiosamente por um projeto alternativo, verdadeiro, destinado aos trabalhadores e respeitador dos direitos sociais, ambientais e econômicos. Marina Silva, pessoalmente, conseguiu captar essa voz e embolou o meio de campo.

Em nível regional o partido foi mal, exceção aos candidatos, aos quais parabenizo, Queiroz, pela expressiva votação para o Senado (entrou já em meados de agosto e sem estrutura financeira) e também ao companheiro Helilton, candidato a deputado federal (que quase não apareceu no horário eleitoral, pois Sena, Lobato e Queiroz tomaram de conta e falaram por mais tempo que o candidato).

Ainda no Amazonas, o candidato HISSA ABRAHÃO do PPS reproduz o fenômeno eleitoral de MARINA SILVA

Feita essa constatação passo a fazer algumas assertivas.

1ª. - A votação em Marina Silva não foi performance do PV, mas performance da candidata. A terceira colocada conseguiu transmitir sua mensagem ao eleitor. Viabiliza-se como forte candidata em 2014. Já agora em 2010, é cortejada por PT e PSDB.

2ª. A meu ver, há espaço para o PSOL na política nacional, mais especificamente ao cargo de presidente de República.

3ª. Tivesse o PSOL, desde o fim do pleito de 2006, dado prosseguimento à campanha eleitoral de Heloísa Helena à presidência o partido teria em 2010 um desempenho muito expressivo. Certamente os mais de 6 milhões de votos daquele certame seriam hoje os quase 20 milhões que Marina Silva teve hoje. Heloísa Helena é uma candidata pronta: é boa comunicadora, tem conteúdo ideológico e simboliza mudança e valor ético na política.

4ª. A derrocada da candidatura de Heloísa Helena ao senado em Alagoas também sinaliza que o partido necessita se unir num projeto nacional mais propositivo, consistente, articulado e viável para transmitir força à política regional. Um candidato fraco (eleitoralmente, mau comunicador) como foi Plínio, somado ao pouco apoio dos militantes nos Estados, como consequência do processo fratricida e autofágico de escolha do candidato a presidência, não conseguiu ser ouvido pelo eleitor. Plínio não contribuiu para os candidatos nos Estados. Plínio, não suas idéias, pareceu inviável ao Brasil. Há exceções, e.g., Toninho do PSOL (DF), Chico Alencar (RJ), Randolphe (AP), Marinor (PA), Marcelo Freixo (RJ), Carlos Gianazzi (SP), Ivan Valente (SP) e Raul Marcelo (SP).

5º. A hora é de recompormos, elaborar finalmente o programa do PSOL, trabalhar o candidato/candidata (o companheiro Hamilton Assis – vice de Plínio, pode ser essa pessoa) e trabalhar para as eleições municipais de 2012 e as eleições gerais de 2014.

6º. Em nível regional, temos de discutir o uso do fundo partidário, que até então, ao meu ver, foi mal utilizado. Nos últimos anos, foi utilizado para pagar o aluguel da residência do filho do presidente regional do partido. Para mim, deve ser utilizado em mobilização da militância, quer seja em impressos, eventos, aluguel de carro de som e coisas dessa natureza. As contas de 2008 foram aprovadas pelo Tribunal Eleitoral do Amazonas e por isso será liberada novas cotas do fundo partidário. Dessa vez espero que utilizemos esses parcos recursos de maneira mais inteligente e razoável.

7º. Outra questão, ainda em nível regional, é o restabelecimento das comissões provisórias nos municípios do interior, abrupta e antidemocraticamente suprimidas pela direção regional. A menos que queiram os dirigentes do PSOL-AM ter o partido apenas em Manaus. Para mim, a hora de construirmos uma saída política para os problemas apresentados. Sem a devolução do PSOL aos municípios não cresceremos. Estou pessoalmente empenhado em levar o PSOL para Autazes.

O desafio está posto. Agora é operacionalizar isso.

Chamamos à luta socialista todos os filiados ao Partido Socialismo e Liberdade - PSOL no Amazonas. Vamos construir 2012, rumo a 2014.

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