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9 de out. de 2010

O "BICHO" na Educação

Manaus, AM

Você sabe o que é “bicho”?


Explico: No futebol os cartolas como forma de incentivar os jogadores em jogos decisivos oferecem além do salário normal um valor “extra” em caso de sucesso/ e ou vitória.

Inaugurado pelo PSDB de Serra, quase todos os estados estão fazendo isso e algumas prefeituras também já embarcaram nessa quando o assunto é remuneração do professor. Aqui no Amazonas tal “palhaçada” é saudada como a grande e acertada política educacional.

Não bastasse ao professor a exposição aos mais inadequados ambientes de aula (salas superlotadas, os problemas sociais dos alunos, prédios sem manutenção, falta de material didático, falta de livros, violência em sala, etc.), está ele agora submetido à pressão econômica. Não tem tempo de estudar, capacitar-se como profissional, muito menos tempo para preparar as aulas, porque está subjugado a jornada de 40 ou mais horas de trabalho. Não raro, tem três ou mais empregos. Se não atingir “as metas” ta fumado.

A diferença entre o futebol e a educação são que no futebol os jogadores são bem remunerados, o professor não; naquele não há qualquer conseqüência para o país e para as pessoas, nesta sim, pois sem educação com qualidade a miséria, a manipulação eleitoral e política continuarão, seremos menos felizes.

Imagino se a regra fosse estendida para os demais funcionários públicos, por exemplo para o juiz, o promotor, o médico, o policial, etc., rebaixando antes o salário destes, é claro. Onde pararíamos?

Mentindo, dizem que o problema é de gestão, mas não é. Falta investimento na Educação. De verdade.

Esse é o modelo neoliberal de Serra e do PSDB que querem levar para todo o Brasil. Vá-de-retro Satanás!

Num pais em que o professor é aviltado com a merda de salário que tem, a obra por fim está completa. Não contentes porque apenas cagavam na cabeça do professor, agora também peidam na sua cara. Com a anuência do sindicato adesista e comprado (ouviu SINTEAM?). Isso é uma vergonha.

Enquanto isso, as escolas públicas do Amazonas apresentam os piores desempenhos no IDEB e no ENEM, além de é claro, nada ensinar ao alunado.

Pelo fim do “bicho” na Educação do Amazonas.

A eleição passou, você nada fez, nada mudou. Explico: o Brasil e o Amazonas continuam mutilando o futuro de sua gente.

P.S.: Numa próxima, falarei sobre a privataria na saúde em SP, feita pelo melhor(?) ministro do Brasil, em que se entregam os hospitais às entidades “pilantrópicas” (as OSS).

23 de mar. de 2010

Não ao fim das disciplinas FHA, FGA e Educação Artística

Manaus, AM


Unidos pra Lutar
Informativo dos trabalhadores da educação independente do governo AMAZONAS


Não ao fim das disciplinas de FHA, FGA e Ed. Artística!

A redução em 50% das cargas-horárias das disciplinas de F.H.A (Fundamentos de História do Amazonas)., F.G.A (Fundamentos de Geografia do Amazonas), Ed. Artística e Ensino Religioso. Foi uma medida arbitrária, antipedagógica e principalmente retrógrada. Não consta em nenhuma resolução recente do conselho municipal de educação qualquer referência a redução de carga-horária das referidas disciplinas. Portanto, tais medidas são totalmente arbitrárias e desnecessárias, pois não trará benefício de aprendizagem dos alunos conforme divulgado pela SEMED.

O argumento que a redução das cargas-horárias dessas disciplinas contribuirá para redução dos índices de reprovação em matemática e língua portuguesa é extremamente contraditório. O aumento da quantidade de aulas, de língua portuguesa e matemática, não são garantias de uma boa aprendizagem porque na prática ocorrerá uma sobrecarga aos professores destas disciplinas.

A razão dos altos índices de reprovação está na falta de condições básicas de trabalho, salas de aula lotadas, o que inviabiliza um acompanhamento mais individualizado, na persistência do turno da fome, que contribui para evasão escolar e em a não valorização dos profissionais da educação. Esses sim são elementos dos altos índices de reprovação.

A implantação das disciplinas regionais (FHA e FGA), no currículo do ensino básico, representou um passo importante na interpretação dos processos históricos e geográficos da nossa região, na medida em que os conhecimentos regionais sobre a Amazônia, aqui produzidos, passaram a ser adotados na sala de aula. Durante muitos anos a realidade da Amazônia era interpretada através dos “compêndios” produzidos no eixo Rio São Paulo sobre ótica conservadora e marginalizadora das elites sulistas. Portanto, a redução das cargas horárias desses componentes curriculares representa um grande retrocesso.

A redução da carga horária de Ed. Artística é mais uma medida arbitrária. Ora, no momento em que o debate em torno do ENEM redimensiona os conceitos de competências e habilidades do processo ensino e aprendizagem o componente curricular de Ed. Artísticas ganha um peso mais significativo com instrumento pedagógico. Contrariando tudo isso os "iluminados" da SEMED reduzem em 50% a carga horária desse componente curricular.

Essas medidas de redução das cargas horárias, com "a devolução" de dezenas de professores à SEMED não é um fato isolado. Não é de hoje que a nossa categoria vem sofrendo ataques. Na gestão do prefeito Serafim (PSB) a categoria foi obrigada a “engolir” o PCCS sem debate e aprovado de madrugada na Câmara Municipal com apóio da direção do SINTEAM. Na atual gestão do prefeito Amazonino (PTB), que prometeu rever o PCCS durante a campanha eleitoral, nada fez. Porém por diversas vezes já “ensaiou” a retirada do nosso vale transporte e reduziu o plano de saúde da categoria, quando cortou os convênios da MANAUSMED. Agora o mais novo ataque à categoria é o “enxugamento”, termo muito.

Usado na lógica dos empresários. A quem interessa a redução de turmas e a devolução de dezenas de professores à SEMED? Não será dessa forma que se resolverão os altos índices de reprovação; será o investimento maciço. A redução das cargas e a "devolução" dos professores à SEMED é primeira parte do “pacote” de ataques à nossa categoria. Precisamos reagir, caso contrário, prosseguirão os ataques, tornando essas disciplinas facultativas, portanto “não necessária”, o que colocará vários professores à disposição da SEMED. E todos estão passivos de serem dispensados do serviço público.

4 de mar. de 2010

Partido do DEM corresponsabiliza negros pela escravidão

 Manaus, AM

LAURA CAPRIGLIONE e LUCAS FERRAZ, da Folha de S.Paulo, em Brasília

          Para uma discussão que sempre convoca emoções e discursos inflamados, como é a das cotas raciais ou reserva de vagas nas universidades públicas para negros, a audiência pública que se iniciou ontem (3) no Supremo Tribunal Federal transcorreu em calma na maior parte do tempo. Até que um óóóóóóó atravessou a sala. Quem falava, então, era o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que se esforçava para demonstrar a corresponsabilidade de negros no sistema escravista vigente no Brasil durante quatro séculos.

          Disse Demóstenes sobre o tráfico negreiro: "Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para o mundo islâmico, para a Europa e para a América. Lamentavelmente. Não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos. Mas chegaram. (...) Até o princípio do século 20, o escravo era o principal item de exportação da pauta econômica africana."

          Sobre a miscigenação: "Nós temos uma história tão bonita de miscigenação... [Fala-se que] as negras foram estupradas no Brasil. [Fala-se que] a miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. [Fala-se que] foi algo forçado. Gilberto Freyre, que é hoje renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual."

          As referências à história "tão bonita" da miscigenação brasileira, ao negro traficante de mão de obra negra, o democrata usou para argumentar contra as cotas raciais, já adotadas em 68 instituições de ensino superior em todo o país, estaduais e federais. Desde 2003, cerca de 52 mil alunos já se formaram tendo ingressado na faculdade como cotistas.

          O partido de Demóstenes considera que as cotas raciais são inconstitucionais porque, ao reservar vagas para negros e afrodescendentes, contrariariam o princípio da igualdade dos candidatos no vestibular.

          Na condição de relator de dois processos sobre o tema (também há um recurso extraordinário interposto por um candidato que se sentiu prejudicado pelo sistema de cotas adotado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul), o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, decidiu convocar a audiência pública, que se estenderá até sexta-feira, com intervenções pró e anticotas.

          A audiência pública é uma forma de as partes interessadas levarem seus pontos de vista ao STF. Segundo Lewandowski, o assunto será votado ainda neste ano. Se considerar que as cotas ferem preceito fundamental, acaba essa modalidade de ingresso no sistema universitário. Se considerar que são ok, a decisão sobre adotar ou não uma política de cotas continuará a ser dos conselhos universitários.

          No primeiro dia, falou uma maioria de favoráveis às cotas, em um placar de 10 a 3. Falaram representantes de ministérios e de universidades favoráveis às cotas, e os advogados do DEM e do estudante gaúcho, além de Demóstenes.

(reportagem originalmente publica no FolhaOnline).

PS. É o partido dos capitalistas mostrando sua verdadeira face. No Amazonas, seus representantes são Pauderney e cia ltda.

19 de fev. de 2010

Enquanto o SINTEAM samba, os professores de Manaus dançam.

Manaus, AM

          O sindicado dos professores fechou os olhos (já há algum tempo) e os professores de Manaus são prejudicados por decisões da SEMED. Aqui repudio o modelo adotado na SEMED por ser claramente AUTORITÁRIO.

          A extinção das disciplinas fundamento de história do Amazonas e fundamento de geografia do Amazonas, a implantação do ensino religioso facultativo para os alunos e as mudanças de lotação trouxeram muitos transtornos e insatisfação aos professores de Manaus.

          Há notícias de professores, preparados, qualificados para determinada área, que estão dando aulas de disciplinas totalmente diferente da sua formação, o que configuraria desvio de função.

          As decisões, por terem sido feitas de cima para baixo, sem uma discussão com os professores, produziram resultados negativos para a educação de crianças e adolescentes. Os professores estão sentindo uma distância muito grande do poder público e têm muita dificuldade de desenvolver o seu trabalho. O certo é que os professores e a comunidade não foram preparados para que isso acontecesse.

          Informação escorreita dá conta que houve uma consulta da Secretaria ao Conselho Municipal, mas o próprio Conselho Municipal solicitou que a SEMED fizesse algum procedimento que respaldasse essas mudanças. Até o momento isso não foi feito. Porque primeiro, o Conselho aprovou a estrutura curricular. Depois, determinou que a SEMED adotasse as seguintes providências: encaminhasse um projeto que contemplasse as Atividades Curriculares Complementares, para que fossem acrescidas à proposta pedagógica do Ensino Fundamental de nove anos e a data de aprovação desse parecer, que é dado pelo Conselho, à luz da legislação atual. E também que fosse informado de que modo seria operacionalizada a nova estrutura curricular nas escolas que ainda mantêm o turno intermediário, que é ainda o grande gargalo da SEMED. Esse encaminhamento do Conselho é do dia 17 de dezembro de 2009. Mas não houve, de maneira nenhuma, um encaminhamento direto com os professores. Os professores somente começaram a saber disso a partir do início deste ano, quando foram extra lotados.

          A confusão causada é muito grande, porque a maioria deles estava com a sua vida organizada, com seu planejamento, às vezes trabalhando perto da sua casa. Muitos professores têm mais de uma cadeira e isso trouxe transtornos.

          Com essa diminuição de carga horária, vai ser difícil colocar todos os professores dentro da sua formação. A má notícia é que vai piorar, pois estão sobrando muitos professores que ficaram sem carga horária. E a SEMED anuncia concurso. E mais, sabe-se que tem ainda alguns professores contratados em regime temporário. Mas com essa diminuição, muitos professores estão sem lotação ou estão indo para lugares bem distantes. Dificultar a vida dos professores não é a solução para melhorar a qualidade do ensino.

          Atividades Complementares.

          Quanto ao ensino religioso, tem professores que são concursados. A lei diz que é obrigatório o oferecimento do ensino religioso nas escolas, mas facultativo ao aluno. Independentemente da questão legal, verifica-se que a escola vai ter de se preparar muito bem, os professores também, porque não é mais obrigatório. E o professor de religião que só se preparou para essa disciplina, estudou teologia terá dificuldades para ter carga horária completa ou terá de lecionar outras disciplinas.

          Sabe-se que essas Atividades Curriculares Complementares vão envolver várias atividades. Todavia as escolas que temos, a grande maioria, não têm estrutura. Essa tal de Atividade Curricular Complementar precisa ser muito bem trabalhada. Os próprios professores vão ter muita dificuldade na aplicabilidade da proposta da Secretaria.

          No caso da Informática, alguns professores receberam capacitação, e existe uma equipe de professores, que são os multiplicadores para preparar outros professores. Mas também os laboratórios não estão funcionando, na grande maioria das escolas. E tem um número significativo de professores que ainda não enfrenta com muita tranquilidade a questão da inclusão digital. Estes vão ter dificuldade.

          Outra questão importante é que muitos computadores estão obsoletos, muitos computadores foram roubados, a situação não é tão fácil como se diz, como se discursa. É muito difícil.

          Falta de estrutura na SEMED.

          A SEMED precisa prestar um excelente serviço. E para isso tem de se preparar, com material suficiente, merenda adequada. A SEMED continua precisando de servidores, de auxiliares de serviços gerais, de auxiliares administrativos, salas de leitura, de professores na área de informática. O professor deve estar na sala de aula, e com tantos projetos que o Ministério da Educação vem implantando nos últimos anos, a estrutura das escolas cresceu muito, demais, e não tem material humano, aquele servidor no apoiamento desse trabalho.

          Ouve-se a uma só voz que falta o essencial, como material. Em todos esses anos nada foi fácil. Falta todo tipo de material. Nisso, os professores se sentem desprestigiados, o Plano de Cargos até hoje não foi mexido e foi uma proposta do atual prefeito. Falta revisão. O Plano de Cargos prejudicou muitos funcionários, e em 2007, foi modificado pelo prefeito anterior, já tem um ano da nova administração e nada foi feito. O Plano de Cargos está distorcido da realidade.

          Sobre o apadrinhamento na SEMED.

          Essa história de dizer que hoje não se tem mais padrinho, não existe em nenhuma administração. Tem e continua tendo. É hipocrisia se falar que não existe mais apadrinhamento. Há gestores colocados agora, por indicação, mas que não têm perfil para administrar. Já foram feitas várias tentativas, até tentativa de eleição, e nestas houveram muitos problemas. Houve uma época em que os gestores eram escolhidos pela escola e a comunidade. Na administração passada havia uma avaliação, o Proced, que é o Processo de Seleção de Diretores, mas também teve apadrinhamento. Mesmo aqueles diretores que passaram com notas boas, e como não tinha critério de nomeação, eram colocados em escolas grandes, escolas boas. E aqueles que supostamente alinhados às outras administrações passadas, passavam no Proced mas iam para lugares bem distantes, para escolas pequenas.

          Falta de diálogo e discussão.

          Enquanto isso, o secretário Vicente Nogueira diz que essas mudanças aconteceram depois de muito diálogo, discussões, estudos e reflexões e tal, mas que, deliberadamente, evitou-se o "assembleísmo juvenil que ainda é muito comum em certos meios". Traduzindo, feito de modo a “descer goela abaixo mesmo” dos professores. Com muito prejuízo ao professor e ao aluno da rede municipal.

12 de fev. de 2010

O dilema da Escola Brasileira: projeto eleitoreiro x projeto político.

Manaus, AM

          Navegando por um site de notícias me deparei com o seguinte episódio ocorrido no Estado de Roraima. Lá um aluno da rede pública estadual de ensino foi impedido de participar das atividades escolares porque teria retirado do tênis, recebido como fardamento escolar, as estrelas bordadas. Tais figuras, em número de três, insculpidas no calçado faziam referência à identidade visual do terceiro mandato do ex-governador Ottomar Pinto.

          Esse episódio traz uma importante lição, que é revelar o defeito principal da educação no Brasil. É notório o momento crucial que vive a escola brasileira, ela é carente de todos os insumos: educadores, conteúdos atualizados, motivação discente, infra-estrutura, formação teórica do educador, remuneração atrativa para o educador, condições materiais para a permanência do aluno em sala, projeto político-pedagógico, etc.

          O defeito que a Escola Brasileira possui é que atualmente ela é ainda um projeto eleitoreiro, como revelado no repugnável episódio no estado nortista. Hoje, a Escola tem um único fim, isto é, trazer visibilidade eleitoral e votos ao governante de plantão. Os estudantes e o país são os únicos prejudicados nesse desatino nacional.

          A Escola todavia é um projeto político, na melhor acepção da palavra, qual seja, uma instituição que visa ao desenvolvimento do cidadão, da sociedade e do Estado Nacional (o Brasil, em nosso caso), em concordância com os objetivos permanentes da nação. Enquanto não for entendida assim estará fadada ao insucesso.

          A Escola deve ser um projeto do coletivo, construído por todos. Assim, governos, educadores, organizações da sociedade civil, pais e alunos participam do processo construtivo, cada um dando sua contribuição. Esse construir coletivo é o que fará a diferença no mister educativo de sucesso, ao contrário do que vê hoje.

          Urge reorientarmos a Escola para o caminho do sucesso. Necessita-se vencer o estigma de ser um projeto eleitoreiro, como já dito, e transformá-la num Projeto Político Nacional, com o encargo precípuo de ser o motor das transformações sociais, econômicas e espirituais do Brasil.