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29 de jan. de 2012

Uma ideia para a Educação

Tefe, AM

PROGRAMA DE COMPLEMENTAÇÃO DE RENDA, EDUCAÇÃO CONTINUADA E FORMAÇÃO DE ACERVO BIBLIOGRÁFICO DO PROFESSOR DA EDUCAÇÃO BÁSICA



EXAME NACIONAL DE CERTIFICAÇÃO DE CONHECIMENTOS DO PROFESSOR DA EDUCAÇÃO BÁSICA

O que é

Programa de complementação de renda, formação continuada, certificação de conhecimento e formação de acervo bibliográfico particular do professor da educação básica do professor.

Justificativas

As já tão decantadas em prosa e verso: baixa remuneração, péssima formação, dificuldade de acesso a bibliografia e necessidade de certificar o conhecimento do docente.

Objetivos

- Complementar a renda do professor da Educação Básica da Rede Pública de Ensino
- Proporcionar ao professor o acesso a bibliografia especializada
- Aumentar o conhecimento teórico e prático dos conteúdos das disciplinas e da ciência didática
- Atualizar o conhecimento teórico e prático dos conteúdos das disciplinas e da ciência didática
- Fazer a certificação de conhecimentos do professor

Funcionamento

- a inscrição/adesão aos programas é facultativa/voluntária
- distribuição gratuita aos professores da bibliografia básica dos exames do ano
- criação do registro único do professor da rede de ensino pública (evitar duplicidades)
- beneficiários devem estar vinculados a rede pública de ensino
- realização de 6 a 8 provas por ano
- beneficiário que em cada prova tiver desempenho igual ou superior a 7 (sete) recebem R$ 600,00 a R$ 900,00 por prova realizada
- MEC/INEP organiza os Exames
- MEC/INEP organiza a bibliografia de leitura, inclusive a bibliografia a ser distribuída aos professores inscritos
- a lista de bibliografia é a base teórica para formulação das questões das provas
- a lista de bibliografia modifica-se anualmente (para incorporar novos temas bem como aumentar acervo bibliográfico especializado do professor)
- o exame inclui a confecção de uma redação (um texto dissertativo sobre temas da atualidade ou teóricos) (para mitigar deficiência dos professores que ainda não sabem escrever)
- MEC/INEP credita valores diretamente na conta dos beneficiários
- questões das provas são todas do tipo dissertativa/escrita
- validade da inscrição é de um ano, portanto, periodicamente o beneficiário deve se inscrever
- beneficiários recebem de 12 a 18 livros por ano.

Benefícios Para os livreiros/editores

- a criação de um nicho de mercado de 24 a 36 milhões de exemplares ao ano a serem vendidos ao governo federal (12 a 18 livros x 2 milhões de professores [senso MEC 2011])

Receita Estimada: 36 milhões de exemplares x R$ 50,00 = R$ 1,8 bilhões / ano

21 de jul. de 2011

Governo do Estado vai repor merenda perdida em naufrágio

Tefé, AM

Em nota oficial, o Governo do Amazonas garante que já iniciou o esquema de reposição da carga de alimentos da merenda escolar destinada aos municípios de Coari, Tefé, Codajás, Uarini e Alvarães perdida em virtude do naufrágio de uma embarcação da empresa RV Transportes, que afundou na noite de segunda-feira (11) nas proximidades do município de Iranduba. O Governo do Estado ressalta que não há riscos de faltar merenda escolar nos municípios por causa do acidente, pois o estoque de alimentos nas escolas estaduais das localidades já está abastecido para os próximos dois meses.


A carga com os alimentos não perecíveis estava sendo levada para os municípios em uma balsa e em um barco suplementar. Apenas o barco, que transportava cerca de 20% do total da carga, naufragou. A balsa seguiu a viagem cumprindo o cronograma inicial de entregas. No município de Codajás, o material completo para o estoque já foi entregue. Nos demais municípios, o cronograma será mantido.

A empresa RV é responsável pelo transporte da carga de alimentos até as escolas estaduais dos municípios e, pelo contrato com a Secretaria de Estado de Educação e Qualidade de Ensino (Seduc), é obrigada a repor os materiais em caso de eventualidades, sem prejuízos ou acréscimo de custos à secretaria. Em substituição a carga de merenda escolar perdida com o acidente, um novo barco deverá sair de Manaus nesta sexta-feira (15) com a carga suplementar.

9 de out. de 2010

O "BICHO" na Educação

Manaus, AM

Você sabe o que é “bicho”?


Explico: No futebol os cartolas como forma de incentivar os jogadores em jogos decisivos oferecem além do salário normal um valor “extra” em caso de sucesso/ e ou vitória.

Inaugurado pelo PSDB de Serra, quase todos os estados estão fazendo isso e algumas prefeituras também já embarcaram nessa quando o assunto é remuneração do professor. Aqui no Amazonas tal “palhaçada” é saudada como a grande e acertada política educacional.

Não bastasse ao professor a exposição aos mais inadequados ambientes de aula (salas superlotadas, os problemas sociais dos alunos, prédios sem manutenção, falta de material didático, falta de livros, violência em sala, etc.), está ele agora submetido à pressão econômica. Não tem tempo de estudar, capacitar-se como profissional, muito menos tempo para preparar as aulas, porque está subjugado a jornada de 40 ou mais horas de trabalho. Não raro, tem três ou mais empregos. Se não atingir “as metas” ta fumado.

A diferença entre o futebol e a educação são que no futebol os jogadores são bem remunerados, o professor não; naquele não há qualquer conseqüência para o país e para as pessoas, nesta sim, pois sem educação com qualidade a miséria, a manipulação eleitoral e política continuarão, seremos menos felizes.

Imagino se a regra fosse estendida para os demais funcionários públicos, por exemplo para o juiz, o promotor, o médico, o policial, etc., rebaixando antes o salário destes, é claro. Onde pararíamos?

Mentindo, dizem que o problema é de gestão, mas não é. Falta investimento na Educação. De verdade.

Esse é o modelo neoliberal de Serra e do PSDB que querem levar para todo o Brasil. Vá-de-retro Satanás!

Num pais em que o professor é aviltado com a merda de salário que tem, a obra por fim está completa. Não contentes porque apenas cagavam na cabeça do professor, agora também peidam na sua cara. Com a anuência do sindicato adesista e comprado (ouviu SINTEAM?). Isso é uma vergonha.

Enquanto isso, as escolas públicas do Amazonas apresentam os piores desempenhos no IDEB e no ENEM, além de é claro, nada ensinar ao alunado.

Pelo fim do “bicho” na Educação do Amazonas.

A eleição passou, você nada fez, nada mudou. Explico: o Brasil e o Amazonas continuam mutilando o futuro de sua gente.

P.S.: Numa próxima, falarei sobre a privataria na saúde em SP, feita pelo melhor(?) ministro do Brasil, em que se entregam os hospitais às entidades “pilantrópicas” (as OSS).

28 de set. de 2010

Formação de professores e a qualidade na Educação Básica

Manaus, AM

          A qualidade da educação passa pela formação do docente, que deve ser de alto nível. Faz-se necessário formar professores em quantidade desejável, no mínimo quintuplicar a oferta de vagas nas licenciaturas e levar tais cursos aos municípios mais longínquos da capital.

         A Universidade do Estado do Amazonas - UEA não oferece cursos de educação física, filosofia, ciências sociais e educação artística no interior, e assim a depender da oferta desses cursos, os alunos da rede pública do ensino fundamental e médio dessas localidades jamais terão aula dessas disciplinas.

         Os cursos que timidamente a universidade estadual oferece são: História, 100 vagas, em Parintins e Tefé; Letras, 200 vagas, em Parintins, Tabatinga (2) e Tefé; Matemática, 150 vagas, em Parintins e Tabatinga (2); Pedagogia, 200 vagas, em Parintins, Tabatinga (2) e Tefé; Química, 150 vagas, em São Gabriel da Cachoeira, Parintins e Tefé; Física, 50 vagas, em Tefé; Biologia, 200 vagas, em Parintins, Tabatinga (2) e Tefé; Geografia, 150 vagas, em Tabatinga (2) e Tefé.

         Uma pessoa de Lábrea, por exemplo, que queira estudar Letras terá de se deslocar no mínimo 800 Km, pois o curso mais próximo está em Parintins. Isso inviabiliza sua matrícula no curso, e se o fizesse teria enormes dificuldades em se manter nessa localidade.

         A população do interior continuará a migrar para Manaus enquanto as oportunidades de educação superior estiver concentrada na capital.

        A educação pública, fundamental e média, continuará com o pífio desempenho até aqui apresentado enquanto não se investir na formação de professores no interior.

        Aí está a falácia do governo do Amazonas, que mente, em repetir em programas eleitorais que faz investimentos na educação. Sem formação de professores não haverá educação de qualidade. Enquanto isso no ENEM e no IDEB o Amazonas se apresenta com os piores desempenhos.

        A Universidade, mantida com recursos do erário estadual, falha gravemente porque não é instrumento para a “revolução” educacional.

        A educação ainda não é pensada como política pública, mas como pesado encargo ao governo, e utilizada como mote para captar votos nas campanhas eleitorais.

       É hora de dar um basta na hipocrisia.

       Com a palavra o governador, a Assembléia Legislativa e a UEA.

17 de jul. de 2010

Profissão sem futuro.

Manaus, AM

Por Marcelo Garcia em 22 de Jan de 2010 - 14h00min, disponível no site: www.marcelogarcia.com.br


1- O Governo Federal anunciou que o Piso Salarial para os professores será de R$ 1.024,00. Isso mesmo: Hum Mil e vinte e quatro reais para 40 horas semanais de trabalho.

2- Também anunciou que o Salário Minimo será de R$ 510,00 ou seja o Piso do Professor é 2 Salários Minimos.

3- Minha faxineira cobra R$ 100,00 por dia. Se ela trabalhar 20 dias do mês ela vai ganhar R$ 2.000,00 ou quase duas vezes o que ganha o professor.

4- Pensar a Educação no Brasil sem levar em conta os professores é naufragar nas próprias defesas. Defender a Educação no Brasil sem assumir que os professores precisam de uma remuneração que os motive e os proteja é ficar falando para não chegar a lugar nenhum.

5- Eu não conheço ninguém que queira ser professor primário ou secundário. Está pré estabelecido no imaginário de todos que a profissão de professor não tem futuro.

6- E se esta profissão não tem futuro fico aqui pensando qual é o futuro do Brasil?

7- Em muitos cantos do Brasil o Professor ainda está longe de ganhar R$ 1.024,00. Ganha bem menos.

8- Em muitos cantos do Brasil o Professor é obrigado na mesma sala de aula, dar aula para alunos da primeiria, segunda, terceira e quarta série pois faltam salas para todos e faltam professores para todos.

9- Em cidades como o Rio de Janeiro os professores convivem com a violência diária do tráfico de drogas. Com violências comunitárias e familiares, precisam, além da sua função de ensinar, desenvolver outras já que carreiras como a psicologia, sociologia e o serviço social foram afastadas da Escola (não só no Rio mas em todo Brasil).

10- Os indicadores do IDEB no Brasil são trágicos quando falamos da escola pública e olha que não estavamos avaliando a escola pública de áreas rurais. Como será agora?

11- O Governo, os intelectuais e a mídia geram o meio ambiente como tema fundamental para o futuro do Brasil.

12- A preocupação com carbono, aquecimento global, metano e até mesmo com o peido do boi parecem que são mais importantes e muito mais determinantes do que o triste cotidiano da Educação no Brasil e da dura realidade dos professores brasileiros.

13- Se ser professor significa não ter futuro fico constrangido em dizer que o futuro do Brasil está totalmente comprometido pois sem Educação não há desenvolvimento incluvise para que defesas estratégicas como a do meio ambiente possam ser feitas.

14- O salário do professor é péssimo. A Escola é de má qualidade. Os alunos estão desmotivados e não acreditam em mobilidade social.

15- Este debate para mim é urgente e não pode ser paralelo. Este debate é fundamental. Este debate, no entanto, segue secundário na Agenda Nacional.

16- Vamos seguindo sem futuro.

Fonte: www.marcelogarcia.com.br

30 de mai. de 2010

CETAM em clima de terror.

Manaus, AM

          Alunas dos cursos de massoterapia, estética e culinária do CETAM - Unidade Padre Estélio (bairro São Jorge) reclamam do modo terrorista e autoritário que a diretora Ieda administra aquela escola.

          "Falta até papel higiênico no banheiro feminino. Isso é inadmissível, até porque as mulheres durante o período menstrual necessitam de utilizar o wc mais frequentemente." diz aluna que não quiz ser identificada.

          Segundo as alunas copo para beber água deve ser levado de casa, pois a escola também não os disponibiliza. "Não dá nem pra beber água", finaliza.

          Com a palavra a SECT e a direção do CETAM.

8 de mai. de 2010

Educação: os FICS versus BRIC

Manaus, AM

Segue importante reflexão do Senador Cristóvam Buarque sobre a relevância da educação.

O mundo do século XXI está cheio de siglas que representam grupos de países. O grupo mais recente, formado por Brasil, Rússia, Índia e China, é chamado de BRIC.

O que unifica esses quatro países são suas dimensões demográficas e territoriais - entre as maiores do mundo - e o fato de suas economias terem crescido nas últimas décadas, tornando-os nações emergentes no mercado mundial.

O PIB do BRIC equivale a US$ 16 trilhões, 23,51% do produto bruto global; suas exportações somam cerca de US$ 2 trilhões, 13,03% do total das exportações mundiais. Participações surpreendentes, se comparadas à situação desses países há até poucas décadas. Num mundo sem a polarização militar anterior à queda do Muro de Berlim e sem hegemonia política, esses países unidos formam um importante centro de poder. Por isso, a recente reunião do BRIC, em Brasília, foi um fato importante para o mundo, e chamou a atenção da imprensa internacional.

Outro grupo - nem criado nem batizado - pode ter mais futuro do que o BRIC. Trata-se do grupo Finlândia, Irlanda, Coreia do Sul e Suécia, que podemos chamar de FICS. O que caracteriza esses países é o fato de deterem o principal capital do futuro: o conhecimento.

Se os países do BRIC têm altas taxas de produção, consumo e participação no comércio internacional, os países do FICS fazem parte da elite educacional do mundo. A comparação entre os dados educacionais do BRIC e do FICS mostra a diferença entre eles.

Enquanto os países do FICS ficam entre o 1ª e 22ª lugares, os países do BRIC estão entre a 34ª e a 52ª posições, na avaliação da educação feita pela OCDE (Programa Internacional de Avaliação de Alunos - PISA) em 57 países, analisando o desempenho em leitura, matemática e ciências. Enquanto no FICS as taxas de conclusão do Ensino Médio ficam entre 62% e 91%, no BRIC ficam entre 15% e 57% da população.

Todos os países do FICS têm 100% de sua população adulta alfabetizada, mas no BRIC - com exceção da Rússia, que também atinge 100% - as taxas variam de 94% a 66%.

Os países do FICS têm posição modesta na produção global, apenas 2,97% do PIB mundial, mas participam com 5,41% do total das exportações. Graças à boa educação de base, os FICS produzem e exportam cada vez mais bens com alto conteúdo científico e tecnológico, enquanto os BRICs exportam principalmente bens agrícolas e minerais, produtos da indústria têxtil e mecânica com baixo teor de beneficiamento, produtos esgotáveis, como petróleo e gás, ou mesmo simples bugigangas.

A realidade mostra as vantagens do FICS sobre o BRIC: a renda per capita dos primeiros é 4,9 vezes maior que a dos últimos. O índice de Gini (quanto mais próximo de 1, pior a distribuição de renda) do BRIC varia de 0,550 (este, o pior índice, é do Brasil) a 0,370; ao passo que no FICS, fica entre 0,250 e 0,343. O Índice de Desenvolvimento Humano - IDH, (quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento) no FICS varia de 0,937 a 0,965; enquanto no BRIC varia de 0,612 a 0, 817. Os países do FICS também levam vantagem na estabilidade social e política, na proteção ao meio ambiente, na ética da política e na paz das ruas. Mesmo em momentos de crise financeira, que pode ocorrer na Irlanda, a recuperação será possivelmente mais rápida.

Mas é sobretudo o indicador-de-futuro que coloca esses países em condições superiores. O FICS tem território insignificante, pequena população, consumo e produção baixos, reduzida participação no comércio internacional. Mas em uma economia cada vez mais baseada no valor do conhecimento, o futuro será muito mais brilhante para o FICS, se comparado com o atraso educacional do BRIC.

Daqueles, Coréia e Irlanda iniciaram suas revoluções há poucas décadas. A situação educacional deles não era melhor do que a brasileira há até poucos anos. Mas eles mostraram que era possível. Pena que seja tão difícil convencer os brasileiros a imaginarem nosso País com educação de qualidade para todos. É por isso que ficamos comemorando o BRIC, ignorando a vantagem discreta do FICS.

Cristovam Buarque é Professor da Universidade de Brasília e Senador pelo PDT/DF

23 de mar. de 2010

Não ao fim das disciplinas FHA, FGA e Educação Artística

Manaus, AM


Unidos pra Lutar
Informativo dos trabalhadores da educação independente do governo AMAZONAS


Não ao fim das disciplinas de FHA, FGA e Ed. Artística!

A redução em 50% das cargas-horárias das disciplinas de F.H.A (Fundamentos de História do Amazonas)., F.G.A (Fundamentos de Geografia do Amazonas), Ed. Artística e Ensino Religioso. Foi uma medida arbitrária, antipedagógica e principalmente retrógrada. Não consta em nenhuma resolução recente do conselho municipal de educação qualquer referência a redução de carga-horária das referidas disciplinas. Portanto, tais medidas são totalmente arbitrárias e desnecessárias, pois não trará benefício de aprendizagem dos alunos conforme divulgado pela SEMED.

O argumento que a redução das cargas-horárias dessas disciplinas contribuirá para redução dos índices de reprovação em matemática e língua portuguesa é extremamente contraditório. O aumento da quantidade de aulas, de língua portuguesa e matemática, não são garantias de uma boa aprendizagem porque na prática ocorrerá uma sobrecarga aos professores destas disciplinas.

A razão dos altos índices de reprovação está na falta de condições básicas de trabalho, salas de aula lotadas, o que inviabiliza um acompanhamento mais individualizado, na persistência do turno da fome, que contribui para evasão escolar e em a não valorização dos profissionais da educação. Esses sim são elementos dos altos índices de reprovação.

A implantação das disciplinas regionais (FHA e FGA), no currículo do ensino básico, representou um passo importante na interpretação dos processos históricos e geográficos da nossa região, na medida em que os conhecimentos regionais sobre a Amazônia, aqui produzidos, passaram a ser adotados na sala de aula. Durante muitos anos a realidade da Amazônia era interpretada através dos “compêndios” produzidos no eixo Rio São Paulo sobre ótica conservadora e marginalizadora das elites sulistas. Portanto, a redução das cargas horárias desses componentes curriculares representa um grande retrocesso.

A redução da carga horária de Ed. Artística é mais uma medida arbitrária. Ora, no momento em que o debate em torno do ENEM redimensiona os conceitos de competências e habilidades do processo ensino e aprendizagem o componente curricular de Ed. Artísticas ganha um peso mais significativo com instrumento pedagógico. Contrariando tudo isso os "iluminados" da SEMED reduzem em 50% a carga horária desse componente curricular.

Essas medidas de redução das cargas horárias, com "a devolução" de dezenas de professores à SEMED não é um fato isolado. Não é de hoje que a nossa categoria vem sofrendo ataques. Na gestão do prefeito Serafim (PSB) a categoria foi obrigada a “engolir” o PCCS sem debate e aprovado de madrugada na Câmara Municipal com apóio da direção do SINTEAM. Na atual gestão do prefeito Amazonino (PTB), que prometeu rever o PCCS durante a campanha eleitoral, nada fez. Porém por diversas vezes já “ensaiou” a retirada do nosso vale transporte e reduziu o plano de saúde da categoria, quando cortou os convênios da MANAUSMED. Agora o mais novo ataque à categoria é o “enxugamento”, termo muito.

Usado na lógica dos empresários. A quem interessa a redução de turmas e a devolução de dezenas de professores à SEMED? Não será dessa forma que se resolverão os altos índices de reprovação; será o investimento maciço. A redução das cargas e a "devolução" dos professores à SEMED é primeira parte do “pacote” de ataques à nossa categoria. Precisamos reagir, caso contrário, prosseguirão os ataques, tornando essas disciplinas facultativas, portanto “não necessária”, o que colocará vários professores à disposição da SEMED. E todos estão passivos de serem dispensados do serviço público.

4 de mar. de 2010

Partido do DEM corresponsabiliza negros pela escravidão

 Manaus, AM

LAURA CAPRIGLIONE e LUCAS FERRAZ, da Folha de S.Paulo, em Brasília

          Para uma discussão que sempre convoca emoções e discursos inflamados, como é a das cotas raciais ou reserva de vagas nas universidades públicas para negros, a audiência pública que se iniciou ontem (3) no Supremo Tribunal Federal transcorreu em calma na maior parte do tempo. Até que um óóóóóóó atravessou a sala. Quem falava, então, era o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que se esforçava para demonstrar a corresponsabilidade de negros no sistema escravista vigente no Brasil durante quatro séculos.

          Disse Demóstenes sobre o tráfico negreiro: "Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para o mundo islâmico, para a Europa e para a América. Lamentavelmente. Não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos. Mas chegaram. (...) Até o princípio do século 20, o escravo era o principal item de exportação da pauta econômica africana."

          Sobre a miscigenação: "Nós temos uma história tão bonita de miscigenação... [Fala-se que] as negras foram estupradas no Brasil. [Fala-se que] a miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. [Fala-se que] foi algo forçado. Gilberto Freyre, que é hoje renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual."

          As referências à história "tão bonita" da miscigenação brasileira, ao negro traficante de mão de obra negra, o democrata usou para argumentar contra as cotas raciais, já adotadas em 68 instituições de ensino superior em todo o país, estaduais e federais. Desde 2003, cerca de 52 mil alunos já se formaram tendo ingressado na faculdade como cotistas.

          O partido de Demóstenes considera que as cotas raciais são inconstitucionais porque, ao reservar vagas para negros e afrodescendentes, contrariariam o princípio da igualdade dos candidatos no vestibular.

          Na condição de relator de dois processos sobre o tema (também há um recurso extraordinário interposto por um candidato que se sentiu prejudicado pelo sistema de cotas adotado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul), o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, decidiu convocar a audiência pública, que se estenderá até sexta-feira, com intervenções pró e anticotas.

          A audiência pública é uma forma de as partes interessadas levarem seus pontos de vista ao STF. Segundo Lewandowski, o assunto será votado ainda neste ano. Se considerar que as cotas ferem preceito fundamental, acaba essa modalidade de ingresso no sistema universitário. Se considerar que são ok, a decisão sobre adotar ou não uma política de cotas continuará a ser dos conselhos universitários.

          No primeiro dia, falou uma maioria de favoráveis às cotas, em um placar de 10 a 3. Falaram representantes de ministérios e de universidades favoráveis às cotas, e os advogados do DEM e do estudante gaúcho, além de Demóstenes.

(reportagem originalmente publica no FolhaOnline).

PS. É o partido dos capitalistas mostrando sua verdadeira face. No Amazonas, seus representantes são Pauderney e cia ltda.

19 de fev. de 2010

Enquanto o SINTEAM samba, os professores de Manaus dançam.

Manaus, AM

          O sindicado dos professores fechou os olhos (já há algum tempo) e os professores de Manaus são prejudicados por decisões da SEMED. Aqui repudio o modelo adotado na SEMED por ser claramente AUTORITÁRIO.

          A extinção das disciplinas fundamento de história do Amazonas e fundamento de geografia do Amazonas, a implantação do ensino religioso facultativo para os alunos e as mudanças de lotação trouxeram muitos transtornos e insatisfação aos professores de Manaus.

          Há notícias de professores, preparados, qualificados para determinada área, que estão dando aulas de disciplinas totalmente diferente da sua formação, o que configuraria desvio de função.

          As decisões, por terem sido feitas de cima para baixo, sem uma discussão com os professores, produziram resultados negativos para a educação de crianças e adolescentes. Os professores estão sentindo uma distância muito grande do poder público e têm muita dificuldade de desenvolver o seu trabalho. O certo é que os professores e a comunidade não foram preparados para que isso acontecesse.

          Informação escorreita dá conta que houve uma consulta da Secretaria ao Conselho Municipal, mas o próprio Conselho Municipal solicitou que a SEMED fizesse algum procedimento que respaldasse essas mudanças. Até o momento isso não foi feito. Porque primeiro, o Conselho aprovou a estrutura curricular. Depois, determinou que a SEMED adotasse as seguintes providências: encaminhasse um projeto que contemplasse as Atividades Curriculares Complementares, para que fossem acrescidas à proposta pedagógica do Ensino Fundamental de nove anos e a data de aprovação desse parecer, que é dado pelo Conselho, à luz da legislação atual. E também que fosse informado de que modo seria operacionalizada a nova estrutura curricular nas escolas que ainda mantêm o turno intermediário, que é ainda o grande gargalo da SEMED. Esse encaminhamento do Conselho é do dia 17 de dezembro de 2009. Mas não houve, de maneira nenhuma, um encaminhamento direto com os professores. Os professores somente começaram a saber disso a partir do início deste ano, quando foram extra lotados.

          A confusão causada é muito grande, porque a maioria deles estava com a sua vida organizada, com seu planejamento, às vezes trabalhando perto da sua casa. Muitos professores têm mais de uma cadeira e isso trouxe transtornos.

          Com essa diminuição de carga horária, vai ser difícil colocar todos os professores dentro da sua formação. A má notícia é que vai piorar, pois estão sobrando muitos professores que ficaram sem carga horária. E a SEMED anuncia concurso. E mais, sabe-se que tem ainda alguns professores contratados em regime temporário. Mas com essa diminuição, muitos professores estão sem lotação ou estão indo para lugares bem distantes. Dificultar a vida dos professores não é a solução para melhorar a qualidade do ensino.

          Atividades Complementares.

          Quanto ao ensino religioso, tem professores que são concursados. A lei diz que é obrigatório o oferecimento do ensino religioso nas escolas, mas facultativo ao aluno. Independentemente da questão legal, verifica-se que a escola vai ter de se preparar muito bem, os professores também, porque não é mais obrigatório. E o professor de religião que só se preparou para essa disciplina, estudou teologia terá dificuldades para ter carga horária completa ou terá de lecionar outras disciplinas.

          Sabe-se que essas Atividades Curriculares Complementares vão envolver várias atividades. Todavia as escolas que temos, a grande maioria, não têm estrutura. Essa tal de Atividade Curricular Complementar precisa ser muito bem trabalhada. Os próprios professores vão ter muita dificuldade na aplicabilidade da proposta da Secretaria.

          No caso da Informática, alguns professores receberam capacitação, e existe uma equipe de professores, que são os multiplicadores para preparar outros professores. Mas também os laboratórios não estão funcionando, na grande maioria das escolas. E tem um número significativo de professores que ainda não enfrenta com muita tranquilidade a questão da inclusão digital. Estes vão ter dificuldade.

          Outra questão importante é que muitos computadores estão obsoletos, muitos computadores foram roubados, a situação não é tão fácil como se diz, como se discursa. É muito difícil.

          Falta de estrutura na SEMED.

          A SEMED precisa prestar um excelente serviço. E para isso tem de se preparar, com material suficiente, merenda adequada. A SEMED continua precisando de servidores, de auxiliares de serviços gerais, de auxiliares administrativos, salas de leitura, de professores na área de informática. O professor deve estar na sala de aula, e com tantos projetos que o Ministério da Educação vem implantando nos últimos anos, a estrutura das escolas cresceu muito, demais, e não tem material humano, aquele servidor no apoiamento desse trabalho.

          Ouve-se a uma só voz que falta o essencial, como material. Em todos esses anos nada foi fácil. Falta todo tipo de material. Nisso, os professores se sentem desprestigiados, o Plano de Cargos até hoje não foi mexido e foi uma proposta do atual prefeito. Falta revisão. O Plano de Cargos prejudicou muitos funcionários, e em 2007, foi modificado pelo prefeito anterior, já tem um ano da nova administração e nada foi feito. O Plano de Cargos está distorcido da realidade.

          Sobre o apadrinhamento na SEMED.

          Essa história de dizer que hoje não se tem mais padrinho, não existe em nenhuma administração. Tem e continua tendo. É hipocrisia se falar que não existe mais apadrinhamento. Há gestores colocados agora, por indicação, mas que não têm perfil para administrar. Já foram feitas várias tentativas, até tentativa de eleição, e nestas houveram muitos problemas. Houve uma época em que os gestores eram escolhidos pela escola e a comunidade. Na administração passada havia uma avaliação, o Proced, que é o Processo de Seleção de Diretores, mas também teve apadrinhamento. Mesmo aqueles diretores que passaram com notas boas, e como não tinha critério de nomeação, eram colocados em escolas grandes, escolas boas. E aqueles que supostamente alinhados às outras administrações passadas, passavam no Proced mas iam para lugares bem distantes, para escolas pequenas.

          Falta de diálogo e discussão.

          Enquanto isso, o secretário Vicente Nogueira diz que essas mudanças aconteceram depois de muito diálogo, discussões, estudos e reflexões e tal, mas que, deliberadamente, evitou-se o "assembleísmo juvenil que ainda é muito comum em certos meios". Traduzindo, feito de modo a “descer goela abaixo mesmo” dos professores. Com muito prejuízo ao professor e ao aluno da rede municipal.

12 de fev. de 2010

O dilema da Escola Brasileira: projeto eleitoreiro x projeto político.

Manaus, AM

          Navegando por um site de notícias me deparei com o seguinte episódio ocorrido no Estado de Roraima. Lá um aluno da rede pública estadual de ensino foi impedido de participar das atividades escolares porque teria retirado do tênis, recebido como fardamento escolar, as estrelas bordadas. Tais figuras, em número de três, insculpidas no calçado faziam referência à identidade visual do terceiro mandato do ex-governador Ottomar Pinto.

          Esse episódio traz uma importante lição, que é revelar o defeito principal da educação no Brasil. É notório o momento crucial que vive a escola brasileira, ela é carente de todos os insumos: educadores, conteúdos atualizados, motivação discente, infra-estrutura, formação teórica do educador, remuneração atrativa para o educador, condições materiais para a permanência do aluno em sala, projeto político-pedagógico, etc.

          O defeito que a Escola Brasileira possui é que atualmente ela é ainda um projeto eleitoreiro, como revelado no repugnável episódio no estado nortista. Hoje, a Escola tem um único fim, isto é, trazer visibilidade eleitoral e votos ao governante de plantão. Os estudantes e o país são os únicos prejudicados nesse desatino nacional.

          A Escola todavia é um projeto político, na melhor acepção da palavra, qual seja, uma instituição que visa ao desenvolvimento do cidadão, da sociedade e do Estado Nacional (o Brasil, em nosso caso), em concordância com os objetivos permanentes da nação. Enquanto não for entendida assim estará fadada ao insucesso.

          A Escola deve ser um projeto do coletivo, construído por todos. Assim, governos, educadores, organizações da sociedade civil, pais e alunos participam do processo construtivo, cada um dando sua contribuição. Esse construir coletivo é o que fará a diferença no mister educativo de sucesso, ao contrário do que vê hoje.

          Urge reorientarmos a Escola para o caminho do sucesso. Necessita-se vencer o estigma de ser um projeto eleitoreiro, como já dito, e transformá-la num Projeto Político Nacional, com o encargo precípuo de ser o motor das transformações sociais, econômicas e espirituais do Brasil.