Tefé, AM
(da Folha OnLine)
Santa Rita do Sapucaí, cidade da região sul de Minas Gerais --também conhecida como o Vale da Eletrônica--, encontrou uma maneira de encarar o poder dos chineses no mercado de produtos eletroeletrônicos.
Ao chegar aos 25 anos --boda comemorada na sexta--, a pacata cidade de 40 mil habitantes contabiliza o feito.
Construiu um parque industrial com 142 empresas que, juntas, vão faturar R$ 1,9 bilhão neste ano, 27% além da receita auferida em 2010. Ano, aliás, em que o Vale cresceu 30%.
Santa Rita detém hoje 70% do mercado brasileiro de equipamentos para radiodifusão. Um em cada quatro habitantes trabalha em alguma parte da indústria local, um polo que emprega a terceira geração criada sob a influência do mundo da eletrônica.
Com metade de um século dedicado a isso, Santa Rita já entendeu o que deve fazer para não só encarar o poder dos asiáticos no mercado dos eletroeletrônicos mas enfrentar a concorrência internacional beneficiada pelo câmbio.
ESTRATÉGIA
A primeira providência tem sido a de promover investimento maciço em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), tanto no ambiente acadêmico quanto no industrial. Cresce, entre as empresas da cidade, o uso de recursos subvencionados de instituições federais, como a Finep.
Números do Sindvel (Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica) mostram que a indústria do Vale da Eletrônica investe a cada ano entre 8% e 10% do faturamento em P&D.
O setor privado brasileiro, apenas como comparação, investe menos de 1% ao ano.
A segunda iniciativa do Vale está no esforço de desenvolver produtos que não são classificados como "commodity eletrônica".
"Não temos escala, tampouco força para entrar nesse campo. Então, a ordem aqui é investir em coisas específicas. Produzir eletrônicos sob encomenda", diz Roberto de Souza Pinto, presidente do Sindvel.
Foi a partir disso que se criaram produtos de todo tipo. De uma simples coleira que evita o latido de um cão ao dispositivo que destrói agulhas contaminadas usadas em hospitais.
Mas nada parece superar um negócio que deve gerar bilhões de dólares para o país nos próximos anos: o sistema brasileiro de transmissão de TV digital.
Foi do Inatel (Instituto Nacional de Telecomunicações), instituição local controlada e financiada com recursos privados, que saiu o padrão brasileiro da TV digital. Ancorado no padrão japonês, o modelo foi ajustado ao Brasil e, apesar de recente, já foi adotado por outros 11 países.
PRATA DA CASA
Nascida em Santa Rita, a Linear, agora uma múlti brasileira, com fábricas na Argentina e na Venezuela, produz metade dos transmissores vendidos no Brasil.
Esse é um negócio que vai crescer nos próximos anos, no país e no exterior. No Brasil, a estimativa é que 28 mil transmissores sejam instalados pelas cinco principais redes (Globo, Record, Band, SBT e RedeTV!).
Há prazo para isso. No dia 1ë de julho de 2016, todos os transmissores analógicos serão desligados.
Com expansão de 20% a 30% ao ano, o polo quer agora novas metas, como exportar e tentar viabilizar a indústria de semicondutores.
TEFÉ
E nossa Tefé, já tem um plano para desenvolver sua economia local? Há previsão de investimentos em indústria e serviços e formação de pessoas qualificadas?
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24 de jul. de 2011
5 de abr. de 2010
Elson Melo: Prosperidade Amazonas
Manaus, AM
Muito pertinente e feliz a mensagem do companheiro Elson Melo em seu texto "Prosperidade Amazonas". A sociedade local precisa refletir sobre o modelo econômico e desenvolvimento que queremos. Questões como favelização, violência urbana, desemprego, desatinos e crimes ambientais e baixa qualidade de vida nas cidades são consequência do capitalismo explorador instalado. Exemplo disso são as discrepâncias salariais no PIM, enquanto diretores são remunerados em até R$ 150mil por mês, os trabalhadores de chão de fábrica (que efetivamente produzem a riqueza) têm apenas o mísero salário mínimo, e só. O capitalismo embala com o sonho consumista o incauto operário que está desorganizado. A riqueza econômica, cultural e ambiental é para todos.
Leia o texto em Prosperidade Amazonas
Muito pertinente e feliz a mensagem do companheiro Elson Melo em seu texto "Prosperidade Amazonas". A sociedade local precisa refletir sobre o modelo econômico e desenvolvimento que queremos. Questões como favelização, violência urbana, desemprego, desatinos e crimes ambientais e baixa qualidade de vida nas cidades são consequência do capitalismo explorador instalado. Exemplo disso são as discrepâncias salariais no PIM, enquanto diretores são remunerados em até R$ 150mil por mês, os trabalhadores de chão de fábrica (que efetivamente produzem a riqueza) têm apenas o mísero salário mínimo, e só. O capitalismo embala com o sonho consumista o incauto operário que está desorganizado. A riqueza econômica, cultural e ambiental é para todos.
Leia o texto em Prosperidade Amazonas
11 de mar. de 2010
Em defesa da Agricultura Familiar.
Manaus, AM
No Brasil, a maior parte do que comemos é plantado por agricultores familiares que poluem muito menos que o agronegócio
Mesa farta todos os dias nem sempre garante a segurança alimentar de uma família. Alimentar-se com segurança inclui práticas alimentares promotoras de saúde, que respeitem a diversidade cultural e que sejam social, econômica e ambientalmente sustentáveis.
Ainda há um longo caminho para que a produção de alimentos com técnicas menos agressivas ao meio ambiente seja uma prática constante no Brasil.
Grandes lavouras
Desde 1500, o Brasil adota como modelo predominante de agricultura o sistema de plantation (grandes lavouras), em grandes extensões de terra e mão de obra subempregada. Árvores são derrubadas aos milhões, na floresta Amazônica, para dar lugar à soja. É possível frear o desmatamento? No Cerrado, ele alcança o patamar de mais de 50% também para dar lugar à soja. Mesmo assim, o país comemora safras recordes, não se importando com a destruição de ecossistemas. Será que o equilíbrio da balança comercial é mais importante que a conservação do Cerrado e da Amazônia?.
Acesso à terra
Dados do censo do IBGE de 2006 apontam para uma estrutura agrária ainda muito concentrada: estabelecimentos não familiares, apesar de serem apenas 15,6% do total, ocupavam 75,7% da área e sua área média era de 309 hectares, enquanto a dos estabelecimentos familiares era de 18,37 hectares. Nossa sociedade está disposta a mudar a forma de distribuição de renda e de terra?
Agrotóxicos
O Brasil comemorou, em 2008, a posição de maior consumidor mundial de agrotóxicos e continua usando produtos já proibidos em vários países (como os Estados Unidos, o Japão, a China e nações da União Europeia) por causarem impactos à saúde e ao ambiente.
Produção sustentável
Apesar de cultivar uma área menor com lavouras, 17,7 milhões de hectares, a agricultura familiar é a principal fornecedora de alimentos básicos para a população brasileira. Com apenas 24,3% da área ocupada sua produção chega a 80% da produção de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% de milho, 38% de café, 34% arroz, 28% trigo e 16% de soja. A agricultura familiar ainda é importante fornecedora de proteína animal com cerca de 58% de leite, 50% de aves, 59% de suínos e 30% de bovinos. Mas como aumentar o número de agricultores familiares no campo e pensar em uma forma sustentável de produzir alimentos?
Os consumidores têm um papel cada vez mais importante. Não se tem mais o vínculo da produção com o consumo. É preciso resgatá-lo para ter um cardápio mais nutritivo e para que os agricultores sejam mais valorizados.
O atual governo, de Lula da Silva, como era de se esperar, por ter se associado ao agronegócio capitalista, não promoveu as ações positivas e que é preciso potencializar as experiências de produção de base ecológica como alternativas concretas de agriculturas sustentáveis. É preciso implantar políticas públicas voltadas para a promoção da transição do atual modelo agrícola para uma produção orientada pela agroecologia.
O programa do PSOL para a agricultura.
Há 12 milhões de trabalhadores rurais sem-terra no Brasil. O esforço exportador da política do governo federal tem sido centrado no agro-negócio, cópia do modelo FHC. Neste modelo exportador não há lugar para a reforma agrária, para o assentamento digno do homem no campo. Cerca de 56% das terras brasileiras estão nas mãos de 3,5% dos proprietários rurais.
Para os pequenos agricultores, para agricultura familiar e para as cooperativas só há um lugar totalmente subordinado, não de uma política de estímulo e de crédito pesado para a produção ao mercado interno.
Em suma, para conseguir algum avanço, aos camponeses e trabalhadores rurais sem-terra o único caminho tem sido o da mobilização, das ocupações de terra, bloqueio de estradas, ocupação de prédios públicos.
Nestas lutas, porém, os trabalhadores têm contra si a impunidade dos latifundiários. Temos visto à luz do dia a ação das brigadas paramilitares dos latifundiários e a repressão aos sem-terra. Defendemos as ocupações e ações de luta dos sem-terra. porque somente dessa forma será possível garantir uma reforma agrária verdadeira. Somente com uma reforma agrária desta natureza se pode garantir a produção para o mercado interno e acumular poupança no campo. Mas para tanto não existe saída para o campo brasileiro sem a expropriação das grandes fazendas, sejam elas produtivas ou não.
O apoio com crédito, pesquisa tecnológica, preço justo, são da mesma forma peças fundamentais para uma política de autêntica reforma agrária.
No Brasil, a maior parte do que comemos é plantado por agricultores familiares que poluem muito menos que o agronegócio
Mesa farta todos os dias nem sempre garante a segurança alimentar de uma família. Alimentar-se com segurança inclui práticas alimentares promotoras de saúde, que respeitem a diversidade cultural e que sejam social, econômica e ambientalmente sustentáveis.
Ainda há um longo caminho para que a produção de alimentos com técnicas menos agressivas ao meio ambiente seja uma prática constante no Brasil.
Grandes lavouras
Desde 1500, o Brasil adota como modelo predominante de agricultura o sistema de plantation (grandes lavouras), em grandes extensões de terra e mão de obra subempregada. Árvores são derrubadas aos milhões, na floresta Amazônica, para dar lugar à soja. É possível frear o desmatamento? No Cerrado, ele alcança o patamar de mais de 50% também para dar lugar à soja. Mesmo assim, o país comemora safras recordes, não se importando com a destruição de ecossistemas. Será que o equilíbrio da balança comercial é mais importante que a conservação do Cerrado e da Amazônia?.
Acesso à terra
Dados do censo do IBGE de 2006 apontam para uma estrutura agrária ainda muito concentrada: estabelecimentos não familiares, apesar de serem apenas 15,6% do total, ocupavam 75,7% da área e sua área média era de 309 hectares, enquanto a dos estabelecimentos familiares era de 18,37 hectares. Nossa sociedade está disposta a mudar a forma de distribuição de renda e de terra?
Agrotóxicos
O Brasil comemorou, em 2008, a posição de maior consumidor mundial de agrotóxicos e continua usando produtos já proibidos em vários países (como os Estados Unidos, o Japão, a China e nações da União Europeia) por causarem impactos à saúde e ao ambiente.
Produção sustentável
Apesar de cultivar uma área menor com lavouras, 17,7 milhões de hectares, a agricultura familiar é a principal fornecedora de alimentos básicos para a população brasileira. Com apenas 24,3% da área ocupada sua produção chega a 80% da produção de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% de milho, 38% de café, 34% arroz, 28% trigo e 16% de soja. A agricultura familiar ainda é importante fornecedora de proteína animal com cerca de 58% de leite, 50% de aves, 59% de suínos e 30% de bovinos. Mas como aumentar o número de agricultores familiares no campo e pensar em uma forma sustentável de produzir alimentos?
Os consumidores têm um papel cada vez mais importante. Não se tem mais o vínculo da produção com o consumo. É preciso resgatá-lo para ter um cardápio mais nutritivo e para que os agricultores sejam mais valorizados.
O atual governo, de Lula da Silva, como era de se esperar, por ter se associado ao agronegócio capitalista, não promoveu as ações positivas e que é preciso potencializar as experiências de produção de base ecológica como alternativas concretas de agriculturas sustentáveis. É preciso implantar políticas públicas voltadas para a promoção da transição do atual modelo agrícola para uma produção orientada pela agroecologia.
O programa do PSOL para a agricultura.
Há 12 milhões de trabalhadores rurais sem-terra no Brasil. O esforço exportador da política do governo federal tem sido centrado no agro-negócio, cópia do modelo FHC. Neste modelo exportador não há lugar para a reforma agrária, para o assentamento digno do homem no campo. Cerca de 56% das terras brasileiras estão nas mãos de 3,5% dos proprietários rurais.
Para os pequenos agricultores, para agricultura familiar e para as cooperativas só há um lugar totalmente subordinado, não de uma política de estímulo e de crédito pesado para a produção ao mercado interno.
Em suma, para conseguir algum avanço, aos camponeses e trabalhadores rurais sem-terra o único caminho tem sido o da mobilização, das ocupações de terra, bloqueio de estradas, ocupação de prédios públicos.
Nestas lutas, porém, os trabalhadores têm contra si a impunidade dos latifundiários. Temos visto à luz do dia a ação das brigadas paramilitares dos latifundiários e a repressão aos sem-terra. Defendemos as ocupações e ações de luta dos sem-terra. porque somente dessa forma será possível garantir uma reforma agrária verdadeira. Somente com uma reforma agrária desta natureza se pode garantir a produção para o mercado interno e acumular poupança no campo. Mas para tanto não existe saída para o campo brasileiro sem a expropriação das grandes fazendas, sejam elas produtivas ou não.
O apoio com crédito, pesquisa tecnológica, preço justo, são da mesma forma peças fundamentais para uma política de autêntica reforma agrária.
22 de fev. de 2010
Trabalhador do Amazonas tem forte perda salarial.
Manaus, AM
Reportagem divulgada neste domingo (21/02) no jornal A Crítica dá conta que os trabalhadores do Polo Industrial de Manaus (PIM) tiveram forte perda salarial no ano de 2009, ao se comparar ao ano de 2008. Em outras palavras, no ano passado teve menos dinheiro no bolso do trabalhador, que é quem efetivamente produz a riqueza deste Estado.
Segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos (DIEESE) todos os setores produtivos do PIM tiveram severas perdas de salários. Os estudos indicam que há setores que tiveram perda de até 16,32% como é o caso dos eletroeletrônicos.
Essas perdas salariais ocorrem justamente num período de aumento do faturamento das empresas instaladas aqui no PIM. A triste constatação é que os custos com salários aqui não chegam a 3% do faturamento, isto é, a cada R$ 100,00 faturado, menos de R$ 3,00 vai para o trabalhador. O trabalhador do Amazonas é o mais barato do Brasil. A massa salarial dos trabalhadores do PIM não acompanhou o aumento do faturamento dos capitalistas.
A desculpa foi a crise internacional, e nos dizeres do jornal "diante dos resultados negativos...o DIEESE observa que quem paga o preço...sempre é o trabalhador, que na maioria das vezes é sacrificado para manutenção dos setores da economia local."
Houve desemprego também, e novamente o tão aplaudido (até motivo de um pretenso orgulho para alguns) setor de eletroeletrônico liderou a triste estatística, com redução da mão-de-obra em 23,06%.
Diante dessa grave situação temos, nós os trabalhadores, de ir à luta para defender o emprego e aumento dos salários. É preocupante ver que diante desses notícias negativas os sindicatos obreiros não fizeram nada, e o pior, incorporaram o discurso da crise. A verdade é que há um bom tempo os sindicatos dos trabalhadores do Amazonas (na maioria sob a tutela da CUT entreguista lulista) não mais brigam pelos direitos e salários dos trabalhadores.
Trabalhador do Amazonas, fique atento! Na data-base de sua categoria exija dos sindicatos defender seus legítimos intereses e dos patrões manutenção dos empregos e o devido aumento dos salários.
Reportagem divulgada neste domingo (21/02) no jornal A Crítica dá conta que os trabalhadores do Polo Industrial de Manaus (PIM) tiveram forte perda salarial no ano de 2009, ao se comparar ao ano de 2008. Em outras palavras, no ano passado teve menos dinheiro no bolso do trabalhador, que é quem efetivamente produz a riqueza deste Estado.
Segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos (DIEESE) todos os setores produtivos do PIM tiveram severas perdas de salários. Os estudos indicam que há setores que tiveram perda de até 16,32% como é o caso dos eletroeletrônicos.
Essas perdas salariais ocorrem justamente num período de aumento do faturamento das empresas instaladas aqui no PIM. A triste constatação é que os custos com salários aqui não chegam a 3% do faturamento, isto é, a cada R$ 100,00 faturado, menos de R$ 3,00 vai para o trabalhador. O trabalhador do Amazonas é o mais barato do Brasil. A massa salarial dos trabalhadores do PIM não acompanhou o aumento do faturamento dos capitalistas.
A desculpa foi a crise internacional, e nos dizeres do jornal "diante dos resultados negativos...o DIEESE observa que quem paga o preço...sempre é o trabalhador, que na maioria das vezes é sacrificado para manutenção dos setores da economia local."
Houve desemprego também, e novamente o tão aplaudido (até motivo de um pretenso orgulho para alguns) setor de eletroeletrônico liderou a triste estatística, com redução da mão-de-obra em 23,06%.
Diante dessa grave situação temos, nós os trabalhadores, de ir à luta para defender o emprego e aumento dos salários. É preocupante ver que diante desses notícias negativas os sindicatos obreiros não fizeram nada, e o pior, incorporaram o discurso da crise. A verdade é que há um bom tempo os sindicatos dos trabalhadores do Amazonas (na maioria sob a tutela da CUT entreguista lulista) não mais brigam pelos direitos e salários dos trabalhadores.
Trabalhador do Amazonas, fique atento! Na data-base de sua categoria exija dos sindicatos defender seus legítimos intereses e dos patrões manutenção dos empregos e o devido aumento dos salários.
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